Quando se fala em potências mundiais da cerâmica de revestimento, poucos pensam no Brasil primeiro — mas os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos (Anfacer) colocam o país num patamar que surpreende. Entender esse panorama ajuda a explicar por que o Brasil consegue oferecer revestimento de qualidade técnica internacional a preços competitivos: existe uma cadeia produtiva madura, escala industrial relevante e décadas de investimento em tecnologia por trás de cada peça.

A posição do Brasil no mercado mundial

Segundo dados da Anfacer, o Brasil ocupa a 3ª posição mundial tanto em produção quanto em consumo de revestimentos cerâmicos — atrás apenas de China e Índia, os dois maiores mercados do planeta. Em exportação, o país aparece entre os seis e sete maiores exportadores globais, vendendo para mais de 110 países em todos os continentes. O setor produz mais de 800 milhões de m² por ano no território nacional.

Por que isso importa

Um mercado interno grande e maduro significa mais concorrência, mais investimento em inovação e — na ponta do consumidor final — mais opção de textura, cor e formato do que em mercados onde o revestimento cerâmico é um nicho.

O peso econômico do setor

De acordo com a Anfacer, o segmento de revestimentos cerâmicos e louças sanitárias representa cerca de 6% do PIB da indústria de materiais de construção no Brasil — e é o segundo maior consumidor industrial de gás natural do país, um indicador do quanto o processo de queima em fornos é intensivo em energia. Essa intensidade energética é também o motivo pelo qual o setor vem investindo pesado em eficiência: segundo a associação, a cerâmica brasileira está entre as que menos consomem água, energia e gás por metro quadrado produzido no comparativo mundial.

Textura cimentícia contemporânea — inovação em revestimentos brasileiros
Digitalização da produção e novos formatos têm sido o foco de investimento do setor nos últimos anos.

Para onde o setor está indo

Três movimentos aparecem de forma consistente nos relatórios recentes do setor:

Sustentabilidade como estratégia, não discurso. A iniciativa Anfacer + Sustentável formalizou o compromisso do setor cerâmico brasileiro com práticas ambientais como premissa de negócio, não apenas como resposta a pressão regulatória.

Grandes formatos e impressão digital. A tecnologia de impressão digital em cerâmica permitiu texturas e padrões que seriam impossíveis com os métodos tradicionais de esmaltação — abrindo espaço para peças que imitam pedra natural, madeira e concreto com fidelidade cada vez maior.

Funcionalidades agregadas. Revestimentos com propriedades antibacterianas e autolimpantes, que reduzem a proliferação de vírus e bactérias na superfície, vêm ganhando espaço — especialmente em projetos comerciais e de saúde.

Brasil x mundo: uma indústria exportadora

Em 2025, a indústria cerâmica nacional produziu cerca de 807 milhões de m², dos quais quase 88 milhões foram vendidos para o exterior. Os Estados Unidos historicamente lideram como principal destino das exportações brasileiras, seguidos por países da América Latina como Paraguai, Argentina e Uruguai — embora tarifas comerciais impostas pelos EUA em 2025 tenham reduzido significativamente o volume vendido para esse mercado específico, levando o setor a acelerar a busca por mercados alternativos.